Sexto encontro "Direitos Humanos e Organização coletiva" - 15/09/2018
O encontro começou,
aproximadamente, às 7h10min e nós iniciamos abordando a demanda apresentada por
elas na noite anterior, sobre a necessidade de muitas delas de faltar o
encontro por demandas pessoais, o que desmotivou algumas outras, que estariam
dispostas a ir. O que ficou acordado, então, é que o encontro acabaria às 9h,
mas acabou se estendendo.
Estavam presentes Dona
Maria, Ana Maria, Sara, Marcela, Adriana, Vânia, Renilda, Edna e Zelândia, que
chegou por último. Marcela é nova, entrou no lugar de Cristiane e foi ao
encontro no dia 15/09 pela primeira vez. Também estavam presentes as Madás:
Melina, Ilana, Emily, Bianca, Marcelle, e as novas integrantes, Ágata, Carol e
Izaura, que se apresentaram para o grupo.
Num primeiro momento, elas
trouxeram a necessidade de se trabalhar a questão do assédio entre colegas de
trabalho, pois mencionaram situações desagradáveis envolvendo palavras e gestos
obscenos, mãos na cintura e nas pernas, olhares fixos, o fato de ele passar
pela porta do vestiário olhando no momento em que sabe que elas estão trocando
de roupa e de observá-las subirem as escadas quando estão de saia ou vestido.
Dona Maria falou sobre ele frequentemente falar mal dela para os novos
funcionários.
Quando chegou, Zelândia nos
relatou o caso de uma funcionária que a procurou chorando, dizendo estar se
sentindo perseguida, e contou a situação do papel, que precisou ser trocado
muito rápido, e causou estranhamento para a funcionária.
Sara propôs um encontro
misto, envolvendo todos os funcionários (inclusive da vigilância, da portaria).
Ficamos de nos mobilizar para promover esse evento no dia 19 de outubro,
aproximadamente, ao meio-dia, e combinado com intervenções visuais, como
broches, adesivos, cartazes trazendo relatos.
Num segundo momento, houve
uma breve recuperação do tema dos sindicatos, em que foi mencionada a vitória
de um processo contra a Fácil. Adriana manifestou ter gostado mais do segundo
sindicato do que do primeiro e Sara concordou, acrescentando, ainda, que o
primeiro “enrolou” muito. Dona Maria afirmou que parecia que eles trabalhavam a
favor da empresa e não deles. Ela também apontou o ponto negativo que seria a
pouca adesão nas reuniões, como fator desmobilizador dos trabalhadores e
trabalhadoras.
No fim, realizamos a
dinâmica que estava prevista para o projeto original do encontro, que consistiu
na impressão de frases retiradas do livro “Precarização tem rosto de mulher” e,
a partir delas, se discutiriam os temas nelas abordados.
A primeira a falar foi
Sara, que ficou com a frase “muda o chicote mas quem bate é a mesma pessoa”.
Para falar sobre essa frase, ela usou o exemplo das linhas de ônibus, que eram
alteradas sem a anuência dos próprios usuários do transporte público. Izaura
falou dos demais “chicotes”, incluindo as próprias situações de assédio por
elas relatadas no iníco do encontro.
Depois de Sara, foi a vez
da frase de Dona Maria, “a precarização escraviza, humilha e divide”, com a
qual ela concordou e falou que acontecia principalmente com aquelas que estavam
inseridas no contexto da terceirização. Falaram sobre terem sido humilhadas
quando foram pedir liberação sábado posterior ao feriado. A partir daí,
iniciou-se uma discussão acerca do tópico do “desvio de função” e a lógica do
“favor”, nas relações de trabalho. A
professora Natália falou sobre não existirem favores numa relação que não é
igual, ao contrário, que é sustentada pelas desigualdades. Nesse momento,
Zelândia contou dois casos: o primeiro envolvendo um terceirizado em Nutrição
que, “fazendo um favor”, foi carregar um armário, teve um ferimento no dedo e a
empresa não fez nada porque ele não estava fazendo nada que fosse de sua função
no trabalho; o segundo caso foi de um rapaz que foi transferido de unidade
porque, na sua hora de descanso, ele não estava disponível para “fazer um
favor” ao diretor da unidade.
A frase lida por Zelândia
foi “se a gente reclamar, dizem que terceirizado é assim mesmo, e aí a gente
tem que se conformar”. Marcelle, nesse momento, fez uma intervenção falando que
mesmo que não haja uma perspectiva de mudar de emprego, como foi salientada por
Zelândia, isso não seria justificativa para se conformar, enquanto é uma terceirizada. Nesse momento, a discussão que surgiu
do tema foi a relação que os e as estudantes têm com os banheiros. As
terceirizadas relataram muitas situações extremamente desagradáveis envolvendo
a limpeza dos banheiros, por conta da falta de higiene, cuidado e respeito dos
usuários e usuárias do banheiro. “Pra mim foi uma humilhação”, foi o que disse
Sara depois de relatar uma situação concreta.
A frase de Edna foi “nessa
luta eu aprendi que não podia ter um patrão dentro de casa”. Essa discussão não
rendeu muito, mas foi um consenso de que se tratava dos maridos.
As últimas duas frases
foram lidas rapidamente e a discussão não rendeu muito. O encontro foi, então,
finalizado.
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